O que é pesquisa? PDF Imprimir E-mail
Metodologia I
Escrito por Cadu Xavier   
Ter, 18 de Setembro de 2007 00:00

“Pesquisar, significa, de forma bem simples, procurar respostas para indagações propostas” (Silva e Menezes, 2001)

“Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência" (Ruiz, 1991)

“A pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas, através do emprego de processos científicos” (Gil apud Silva e Menezes, 2001)

“Pesquisa científica é um conjunto de procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para os problemas propostos mediante o emprego de métodos científicos” (Andrade, 2001)



Sendo assim, podemos concluir que Pesquisa é um procedimento intelectual em que o pesquisador tem como objetivo adquirir conhecimentos por meio da investigação de uma realidade e da busca de novas verdades sobre um fato (objeto, problema). Com base em métodos adequados e técnicas apropriadas, o pesquisador busca conhecimentos específicos, respostas ou soluções para o problema estudado.

Ao resultado de uma pesquisa não se deve atribuir verdade absoluta, pois as descobertas são sempre renovadas e toda análise sobre um fato (objeto, problema) apresenta várias implicações de ordem apreciativa e analítica. Contudo, o pesquisador deve procurar mostrar aquilo que está enquadrado no conhecimento empírico, visando explicar com segurança e validade de suas descobertas por meio do conhecimento científico.

A pesquisa surge quando se tem consciência de um problema e nos sentimos pressionados a encontrar sua solução. Para tal, necessitamos da aplicação de procedimentos metodológicos com a intenção de desenvolver, modificar e ampliar conhecimentos que possam ser testados, por meio das investigações, e transmitidos. A pesquisa de cunho científico estabelece parâmetros necessários entre causa e efeito e suas constatações.

A atividade científica é, acima de tudo, o resultado de uma atitude do ser humano diante do mundo – do qual ele mesmo é parte integrante – para entendê-lo, reconstruí-lo e, conseqüentemente, torná-lo inteligível. Assim, as novas descobertas contribuem para o aperfeiçoamento e o progresso da humanidade.

Para desenvolver uma pesquisa cientifica, é necessário um planejamento, no qual se correlaciona cada fase envolvida. Por meio do planejamento, o pesquisador estabelece com maior precisão os objetivos da pesquisa, determina a metodologia a ser empregada e enumera os recursos tanto materiais quanto humanos a ser utilizados e, ainda, fixa a duração das tarefas a ser desenvolvidas.

O planejamento deverá ser realizado com base em:
a) o que será feito;
b) como as coisas serão efetuadas;
c) quem desempenhará cada atividade;
d) quando cada atividade será realizada;
e) por que serão feitas de tal forma, a determinadas pessoas, em determinado espaço geográfico e em determinado período.

No contexto da realidade social figuram vários tipos de pesquisa. Podemos classificá-las como:

Quanto ao objeto

Pesquisa bibliográfica
• Diz respeito ao conjunto de conhecimentos humanos reunidos em diversas obras. Ela constitui o ato de ler, selecionar, fichar, organizar e arquivar tópicos de interesse para a pesquisa em pauta. É a base para as demais pesquisas e, pode-se dizer, é uma constante na vida de quem se propõe estudar. Todo e qualquer estudo deve ter respaldo na pesquisa bibliográfica, mesmo que se baseie em pesquisa de campo ou de laboratório, ou ainda de outro tipo qualquer.
• Na pesquisa bibliográfica, faz-se o levantamento bibliográfico, que pode ser entendido como o material constituído por dados que possam ser utilizados pelo pesquisador. Acumula-se uma documentação sobre o objeto que fornece o estado atual do conhecimento sobre o tema de pesquisa, isto é, “o que se diz dele”. A pesquisa bibliográfica compreende a consulta a livros e periódicos, e estes servem como meio de atualização, uma vez que são publicados mais rapidamente que os livros.
• Os alunos geralmente preferem utilizar os livros (publicação impressa não periódica, com mais de 48 páginas. Se a publicação tiver menos de 48 páginas, é considerada folheto). Os livros dividem-se em livros didáticos (para estudos, tais como manuais, teses, monografias e etc.); e livros de referência (como dicionários e enciclopédias).
• Mas há também as publicações periódicas: trabalhos publicados, editados regular ou irregularmente, em fascículos separados, com diferentes conteúdos, mas abrangendo o mesmo título. As revistas são consideradas as principais fontes de informação recente; úteis para localizar dados pertinentes ao interesse do pesquisador. Os jornais também são fontes de informação do tipo periódicas. Os relatórios, periodicamente elaborados por empresas ou entidades também trazem informações valiosas, embora seu uso seja restrito, pelo fato de muitos serem confidencial e de tiragem limitada.

Pesquisa de laboratório
• Tem a propriedade de permitir ao pesquisador a manipulação de variáveis independentes. Dessa maneira, se D implica F, o estudioso pode atuar sobre D estabelecendo variações e verificando o grau e que F varia. A atuação do estudioso também pode fazer-se no trabalho, quando relacionado a comportamentos ou características dos grupos sociais ou experimentais.
• A pesquisa de laboratório é realizada, geralmente, em recinto fechado e com instrumentos próprios. Ela cria o contexto do objeto, ao mesmo tempo em que provoca os fenômenos e os observa. Oferece a imediata vantagem de controlar toda a cronologia da pesquisa, desde o instante inicial do contexto. É possível verificar situações como: se a causa for aumentada, constata-se se houve um aumento do efeito ou não; se for diminuída, se houve decréscimo do efeito ou vice-versa. Se a causa for afastada, pode-se verificar se o efeito continuará existindo.
• A pesquisa de laboratório caracteriza-se como estudos experimentais nos quais o investigador cria uma situação isolada num ambiente artificial, com variáveis elaboradas hipoteticamente. As relações entre variáveis são testadas pela manipulação de uma ou mais variáveis independentes e pelo controle da potencial influência de variáveis que são exteriores à hipótese que está sendo testada.

Pesquisa de campo
• Detém-se na observação do contexto no qual é detectado um fato social (problema), que a princípio passa a ser examinado e, posteriormente, é encaminhado para explicações por meio dos métodos e das técnicas específicas. Trabalha com a observação dos fatos sociais colhidos do contexto natural – são formas de um problema meramente observado, sem qualquer interferência –, apresentados simplesmente como eles se sucedem em determinada sociedade.
• A pesquisa de campo é a que se realiza com o fato social situado em seu contexto natural, ou seja, em seu campo ou habitat, sem nenhuma alteração imposta pelo pesquisador. Esse tipo de pesquisa é aplicado ao ser humano, que é dotado de razão ou de psiquismo. Nunca poderia ser efetuado com animais irracionais, a exemplo de outros tipos de pesquisa, que usam esses animais como cobaias.

Pesquisa documental
• Corresponde a toda informação de forma oral, escrita ou visualizada. Ela consiste na coleta, classificação, seleção difusa e utilização de toda espécie de informações, compreendendo também as técnicas e os métodos que facilitam a sua busca e a sua identificação. Considera-se documento qualquer informação sob a forma de textos, imagens, sons, sinais em papel/ madeira/ pedra/ gravações, pintura, incrustações e outros. Ainda são considerados os documentos oficiais, como editoriais, leis, atas, ofícios, etc., e os documentos jurídicos oriundos de cartórios, registros gerais de falência, inventários, testamentos, escrituras de compra e venda, hipotecas, atestados de nascimentos, casamentos, óbitos, entre outros.
• Algumas ciências dependem de outras fontes documentais, como a arqueologia (ciência social que estuda as culturas dos povos antigos através do material – fósseis, artefatos, monumentos, etc.), a paleontologia (ciência sócio-biológica que estuda os fósseis de animais de períodos geológicos passados), etc., cujas fontes específicas de documentação são outras, ou seja, filmes, fotografias, microfilme, gravações, folclore, fósseis, etc.

Quanto à forma de abordagem

Pesquisa quantitativa
Traduz em números as opiniões e/ou informações para serem classificadas e analisadas.
Utilizam-se técnicas estatísticas, apoiadas na linguagem da matemática.
Visa o conhecimento objetivo.
Rejeita os conhecimentos subjetivos.
Adota o princípio da verificação, ou seja, só será verdadeiro aquilo que for empiricamente comprovado.

Pesquisa qualitativa
Busca descrever a complexidade de uma determinada hipótese ou problema; analisar a interação de certas variáveis; compreender e classificar processos dinâmicos experimentados por grupos sociais; apresentar contribuições no processo de mudança, criação ou formação de opiniões de determinado grupo; e permitir, em maior grau de profundidade, a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos.
A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa.
Os dados obtidos são analisados indutivamente.
Não emprega dados estatísticos como centro do processo de análise do problema.
Não tem a pretensão de numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas.

Quanto aos objetivos

Pesquisa exploratória
Intenta proporcionar maior familiaridade com o tema/ problema ainda desconhecido do pesquisador e acadêmicos em geral.
Utiliza-se do levantamento bibliográfico e/ ou entrevistas para devida aproximação do tema/ problema.
É o passo inicial no processo de pesquisa pela experiência e auxílio que traz na formulação de hipóteses significativas para posteriores pesquisas.

Pesquisa descritiva
Fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem a manipulação do pesquisador
Uso de técnicas padronizadas de coleta de dados (questionário e observação sistemática)

Pesquisa explicativa
Identificar fatores determinantes para a ocorrência dos fenômenos
Ciências naturais – método experimental; ciências sociais – método observacional

 

 

Diário Mackenzista

Cadu Xavier

Um jornalista Mackenzista!


Sou natural de Assis/SP, onde
estudei do Ensino Básico ao
Ensino Médio. Em 2006, fui
morar em Loppiano, na Itália,
pelo Movimento do Focolares.

Em 2007, fui morar em São Paulo
para estudar Comunicação Social,
na Universidade Presbiteriana
Mackenzie, onde, em 2011,
me formei Jornalista!