Meu caminho...‘Sonhos’

Espinhas vivas

Estava num lugar estranho. Não identificável. Mas pouco me importava o local, apenas umas manchas pretas na minha pele. Manchas que coçavam, que me abalavam. Desesperado, comecei a apertá-las, como se fossem espinhas, monstruosas espinhas.

Tiro uma, dois, quatro, doze, trinta… não paravam de sair os pontinhos. A cada uma que tirava, colocava em cima de uma mesa. Elas foram juntando, juntando, até virar uma pequena e nojenta montanha de uns cinco centímetros. Assustador. Mas não parou por aí.

Percebi que a montanha começou a se mexer. Os objetos não identificados até o momento se apresentaram como pequenas larvas, aquelas brancas que se juntam no lixo, nas coisas podres. Assustado ao quadrado, olho pra as pequenas manchas pretas na minha pele, que também começaram a se mexer.

Congelo, sem reações. Até que um raio de sol ilumina minha perna, onde é possível ver que dentro do meu corpo só existem larvas. Desesperado, chamo minha mãe, clamo por ajuda. Tarde demais, começo a desmanchar em larvas. Primeiro minhas pernas, meu estomago… Tento encontrar uma razão para tudo aquilo, mas, antes de dar o meu último suspiro…

ACORDO.

Competições

Teatro lotado com torcidas. Amigos, familiares, colegas de trabalho, colegas de classe. Todos torcendo para o melhor de todos os tempos na classificação de melhor professor e melhor aluno. E eu era um dos indicados.

O evento começa. Um apresentador explica a importância do prêmio e anuncia que irá chamar os 5 indicados para retirarem uma placa de prata, para depois, anunciar o grande vencedor com a placa de ouro! Como nenhum professor estava presente, me chamaram para representá-los e retirar as placas de prata no lugar deles.

Subi ao palco 5 vezes e voltei ao meu lugar com 6 placas, as quais deveria encaminhar para os respectivos vencedores. Muita emoção quando começaram a chamar os alunos indicados ao prêmio. Eu era um deles.

Mas era estranho, pois eu não conhecia nenhum dos meus concorrentes. Subimos ao palco para pegar nossas placas de prata, porém, somente eu subi para pegar a de ouro! Ganhei o prêmio de Melhor Aluno do Século pela Faculdade Sumaré!!!

Ops… mas como não sou aluno da Sumaré, ali mesmo, na frente de todos, devolvi o prêmio.

ACORDO.

Gerador explodindo

Estava numa escola dando uma palestra, quando, de repente, ela começa a pegar fogo numa sala isolada. Começo a gritar “fogo” e pedir para evacuarem o prédio. As pessoas que trabalham comigo estavam lá e tentavam me controlar: “Carlos, pare de brincar com coisa séria e volte a trabalhar, você tem muita coisa pra fazer”. Ninguém acredita em mim e resolvem não evacuar o prédio.

Porém, o fogo derruba as paredes da sala em questão e invade os corredores. Todos entram e pânico e começam a fugir. Olham pra mim com uma cara de “porque você não avisou que estava pegando fogo”. Resolvo correr também, mas encontro minha mãe. Com ela, escondo-me em outra sala, onde existe um carro e um gerador em chamas.

Ficamos atrás do carro, mas é possível sentir o calor, principalmente quando o gerador explode.

ACORDO.

Viajando de bicicleta

Eu e minha irmã, Ana Paula, decidimos viajar, mas de bicicleta! Eu levo ela na garupa. Nas subidas, temos que descer e empurrar. Acordo cansado! Como se tivesse pedalado a noite toda. Nosso destino não me lembro qual era. Só sei que devia ser um lugar bem alto, já que só subíamos e subíamos.

ACORDO.

Cruzeiro Surpresa

Fiquei preso numa caixa, que parecia um conteiner de papelão. Quando abrem… estou num cruzeiro. Estavam presentes pessoas de todas os meus grupossociais: trabalho, facul, gen, …

Não sei quem me deu esse presente, nem o que aconteceria nessa viagem de cruzeiro, só sei que fiquei emocionado pela surpresa. Lembrei de quando voltei da Itália que fizeram uma festa parecida.

Saio comprimentando as pessoas. Estranho, porque não era o meu aniversário.

ACORDO.

O Fim de Tudo

Estava trabalhando na Assessoria de Comunicação Social do TRT-SP. Era um dia normal. Todos estavam no prédio. Não me lembro da fisionomia de ninguém, só sei que estavam.

Olho pela janela e vejo que, no estacionamento ao lado, estão matando uma pessoa. Chamo os demais para verem. Logo em seguida, começa um onda de violência na cidade. Vemos muita gente ser morta nas ruas. Todos, desesperados, resolver fugir, encontrar suas famílias. Eu, sem ninguém para correr alí em São Paulo, decido ficar no prédio, escondido.

Escurece. As luzes se apagam. A cidade toda está sem energia. O tempo fecha. Eu, em posição fetal, esperava. Todos tinham morrido nas ruas. Todos. Não tinha mais gente matando, nem morrendo. Só eu. Só eu. Eu. Não sabia o que fazer. Ia esperar amanhecer para sair.

Fiquei numa sala trancado, mas sempre ia olhar na janela para ver se estava realmente sozinho. Mas cada vez que olhava, só via o tempo se fechar. Comecei a entender que não estavam todos mortos, mas que tinham abandonado a cidade. Só sobrou eu.

O tempo pela primeira vez me deixou preocupado. Rapidamente o vento começou a ficar forte e balançar o prédio. Estava no quinto andar e precisava sair dali. Começo a correr. Corro. Corro. Não saio do andar. Sinto o prédio tombar, cair.

“Meu Deus, eu sei que não sou a pessoa mais perfeita, mas ajude-me a sobreviver. Eu serei outra pessoa. Ajude-me. Eu só não quero morrer. Não me deixa morrer”. Sinto uma viga atravesar o meu corpo. Tudo se apaga, se silencia.

ACORDO.

Minha Xuxa

Estava caminhando por uma rua já conhecida. Essa rua fica em Assis, bem na zona Oeste, onde a cidade acaba após cruzar com a André Perini. A rua que estou vira uma rua de terra, mato e casas simples. Estava indo para o final da rua, quando vejo a Xuxa caminhar do meu lado.

Ela me olha. Eu a olho. Nos olhamos. Vejo, de frente, vindo uma amiga minha, me preparo para falar com ela, eis que sou interrompido pela Xuxa. “Posso segurar sua mão?” e começamos a caminhar juntos. Passo pela minha amiga como se nem a conhecesse. Minha amiga me olha como se eu fosse o amigo da Xuxa.

Continuei caminhando, de mãos dadas, como se fossemos namorados. Ele pede para eu acompanhar ela. No caminho, sua filha aparece e vem com a gente. Fico assustado. Na minha cabeça passava a estupidez de como eu não sabia que a Xuxa morava aqui, um lugar que sempre frequento.

Ela me convida para entrar na sua casa. Entro. Dentro era um verdadeiro cativeiro. Horrível. Elas me obrigaram a conversar e fazer coisas que não aceitei. Trancaram-me numa sala para refletir. Lá, refletindo, era toda hora questionado por elas. Cheguei a uma respostas.

ACORDO.

Acidente Aéreo

Dia claro na cidade de Assis. Chico de lata bem no alto da cidade, na rotatória do “bobódramo”. Eu na rua e muitas crianças. Um avião, uma queda. Fogo. Flashs comuns que sempre me acontecem nos sonhos. O depois disso é sempre uma novidade, sempre tentar viver outras opções das que já sonhei.

- Eu falo para irmos para lá, mas as outras crianças não querem. Eu falo para ajudarmos, mas ninguém quer. Viro as costas e estou em cima da asa do avião, escutando gritos. Mas não vejo ninguém.

- Eu falo para não irmos lá por ser perigoso, mas todos querem. Eles querem matar a curiosidade. Viro as costas e estou em cima da asa do avião, escutando gritos. Mas não vejo ninguém.

- Todos decidem ir para lá. Num piscar de olhos, já estou na asa do avião destruído. Não existem vítimas, só curiosos olhando. O fogo é forte, mas não queima, não destrói.

- Niguém quer ir para lá.

ACORDO.

Viciado em Coca no fim do mundo

Estava sozinho num supermercado comprando comida japonesa. Dou o cartão e me cobram 50 reais, 20 a mais do que o combinado. Chega a Malu, minha namorada. Começa uma correria. Pessoas saqueando o mercado. Eu resolvo comprar uma sobremesa com a diferença que a senhora japonesa me cobrou a mais. A polícia chega e pede para evacuar a área.

Novamente a japonesa me cobra errado. Eu resolvo deixar quieto e retirar no balcão o que comprei. Mas não havia mais nada para se levar. Já tinham saqueado tudo. Eu, na minha calma, continuo com a Malu e vou até o frigobar e pego uma Coca-cola e um pote de sorvete. No supermercado um policial diz para evacuar a área imediatamente e sai correndo. Eu, como paguei caro, tinha que levar aqueles produtos comigo.

Saio do supermercado carregando a Coca na mão. Olho para a esquerda e vejo pessoas deformadas correndo em minha direção. Olho para a direita e vejo pessoas desesperadas correndo para o aeroporto tentando pegar um avião para fugir. Calmamente me lembro que a Terra estava sendo atacada e tínhamos que fugir em grandes aeronaves. Explico isso para Malu e começamos a correr.

Corro, corro, corro e não saio do lugar. É desesperador. Paro de correr e tento caminhar, apenas caminhar. Mas ainda não consigo sair do lugar. Será que a Coca-Cola estava tão pesada assim? Mas eu não podia deixá-la. Era minha. Era só eu e a Coca, tentando sobreviver dos monstros.

ACORDO.